"Chegara a hora.
Mas para ele o tempo deteve-se ali. Faltou-lhe a coragem e a capacidade (ou passara já a oportunidade) para seguir um dos dois caminhos daquela encruzilhada de que, subitamente, naquela hora, vira os contornos exactos, e que há muitos anos o perseguia, mal enxergada ainda, porém insistente, obsessiva. Durante todos esses anos, numa alternância diabólica, ora lhe procurava os contornos, ora a afastava de si com o gesto pouco seguro de quem queria e não queria ver.
Mas sabia que havia, de facto, uma encruzilhada — e sabia mais: o outro caminho é que era o seu; adivinhava-o sem, porém, ainda o compreender muito bem. Por vezes, (e procurava esconder este facto de si próprio) via-o distintamente, mas não acreditava no que via (ou em si próprio).
Tudo o que o rodeava, ou quase tudo, lhe indicava, tácita ou explicitamente, a via única: era a família, os colegas de trabalho, o vizinho, o amigo do café… O resto eram aqueles e aquilo que ele, ainda sem compreender muito bem porquê, gostava de ouvir ou de ler e que não se atrevia a dar a conhecer aos outros. E quando, por vezes, cotejava os dois campos, era a dúvida, a hesitação, que logo procurava esquecer. Dúvidas e silêncios, ambiguidades mal interpretadas por uns e por outros — e até ridicularizadas. Era uma luta íntima, violenta por vezes, mas sempre sem vencedor claro, embora virtualmente percebido. E a visão era mais uma vez afastada com um gesto que, conquanto sempre hesitante, se foi tornando cada vez mais firme. Não queria afastar-se, queria antes esquecer, e, por vezes ajudado pela rotina do quotidiano, conseguia-o.
O amadurecimento e a sua inserção na vida profissional iam tornando cada vez mais vagos os contornos do caminho que adivinhava como seu. Só algumas leituras e raros contactos o mantinham ainda distinguível por entre o mar imenso de solicitações à comodidade dos climas mornos de uma paz pútrida. Chegou mesmo a dar passos decididos na via geral, embora o seu olhar frequentemente se voltasse numa interrogação.
Subitamente os acontecimentos precipitaram-se e deixaram-no ver, agora claramente. Tarde demais, porém. A consciencialização que, porventura, anos atrás lhe teria bastado, não é hoje suficiente para o fazer dobrar a esquina e entrar decididamente na sua via, na via dos poucos de outrora. E de indeciso passa a platónico, o que também não o leva a parte nenhuma.Decididamente renegado agora o velho caminho (com a surpresa e incompreensão de muitos)fica-se porém na encruzilhada, só, incapaz de dar o passo."
Autor desconhecido
Mas para ele o tempo deteve-se ali. Faltou-lhe a coragem e a capacidade (ou passara já a oportunidade) para seguir um dos dois caminhos daquela encruzilhada de que, subitamente, naquela hora, vira os contornos exactos, e que há muitos anos o perseguia, mal enxergada ainda, porém insistente, obsessiva. Durante todos esses anos, numa alternância diabólica, ora lhe procurava os contornos, ora a afastava de si com o gesto pouco seguro de quem queria e não queria ver.
Mas sabia que havia, de facto, uma encruzilhada — e sabia mais: o outro caminho é que era o seu; adivinhava-o sem, porém, ainda o compreender muito bem. Por vezes, (e procurava esconder este facto de si próprio) via-o distintamente, mas não acreditava no que via (ou em si próprio).
Tudo o que o rodeava, ou quase tudo, lhe indicava, tácita ou explicitamente, a via única: era a família, os colegas de trabalho, o vizinho, o amigo do café… O resto eram aqueles e aquilo que ele, ainda sem compreender muito bem porquê, gostava de ouvir ou de ler e que não se atrevia a dar a conhecer aos outros. E quando, por vezes, cotejava os dois campos, era a dúvida, a hesitação, que logo procurava esquecer. Dúvidas e silêncios, ambiguidades mal interpretadas por uns e por outros — e até ridicularizadas. Era uma luta íntima, violenta por vezes, mas sempre sem vencedor claro, embora virtualmente percebido. E a visão era mais uma vez afastada com um gesto que, conquanto sempre hesitante, se foi tornando cada vez mais firme. Não queria afastar-se, queria antes esquecer, e, por vezes ajudado pela rotina do quotidiano, conseguia-o.
O amadurecimento e a sua inserção na vida profissional iam tornando cada vez mais vagos os contornos do caminho que adivinhava como seu. Só algumas leituras e raros contactos o mantinham ainda distinguível por entre o mar imenso de solicitações à comodidade dos climas mornos de uma paz pútrida. Chegou mesmo a dar passos decididos na via geral, embora o seu olhar frequentemente se voltasse numa interrogação.
Subitamente os acontecimentos precipitaram-se e deixaram-no ver, agora claramente. Tarde demais, porém. A consciencialização que, porventura, anos atrás lhe teria bastado, não é hoje suficiente para o fazer dobrar a esquina e entrar decididamente na sua via, na via dos poucos de outrora. E de indeciso passa a platónico, o que também não o leva a parte nenhuma.Decididamente renegado agora o velho caminho (com a surpresa e incompreensão de muitos)fica-se porém na encruzilhada, só, incapaz de dar o passo."
Autor desconhecido
O que fazer quando surgem as DUVIDAS?

8 comments:
Segues o instinto ...
Por vezes isso não é bem assim.
Acabas por ser mais racional que instintivo... (que poderá não ser a melhor opção)
Sinceramente não sei.Duvidar...
bjo
o gato escaldado...
Nem todos os passos são definitivos, o espreitar e tantar nunca fez mal a ninguém!
A decisão pode muito bem ser adiada e só tomada na altura certa!!
Deixar fluir e deixar sempre aquele pé atrás que tanto pode avançar com toda a força como pode recolher sem que o coração imagine! :))
Fiz-me entender?
não pensas, ages...
bjitux**
Pensas um bocado e depois (como vais continuar na dúvida, por muito que penses), fazes uma escolha e ages imediatamente!
Não é fácil.. mas sem tentar e/ou arriscar não se consegue nada! ;)
*
Menina preta:
Fez-se entender sim sr. ;)
Menina Morena:
Por vezes pensa-se demais e quando queremos arriscar já é tarde... Enfim a sangria ajuda-me loool
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