Fly away to...
Neste fim de noite, deitei-me sobre a cama e acabei o livro que consumia nos últimos dias, intrigava-me não saber o seu desfecho e só esse desejo alimentava o forno quente que me fazia mover.
Por vezes penso que sou uma velha máquina que produz calor, durante algumas horas, contudo tem de sobreviver no frio apenas com restícios da tepidez deixada nas minhas paredes interiores.
O desenlace final, surpreendeu-me, confesso que já são poucas as situações que provocam este sentimento. Hoje em dia está tudo tão matematizado, tudo tão plástico, recordo-me sempre das grandes linhas de montagem que Ford implementou no inicio do século Vinte.
Irónico não é, ainda no outro século, olhava para trás e sentia não pertencer aquela equação temporal, sempre vivi como se não existisse num determinado espaço de tempo.
Tinha imagens frescas na mente, acredito que se tivesse uma mão interior e tocasse no quadro mental que se situa aqui na minha cabeça, ficava com as palmas molhadas, correria a seguir até um sítio distante de mim, e faria como os índios, imprimindo a minha mão nas paredes brancas virgens, que indicam o caminho para a praia.
É recorrente sentir-me só, sem que ninguém me compreenda, por vezes também receio o futuro, já que não me vejo a viver automatizado como os restantes seres que me rodeiam.
Para ser sincero, queria fugir daqui, levando comigo numa mala improvisada, as recordações, os cheiros, e as almas dos que amo,..seladas em pequenos jarros com etiquetas onde constariam os seus nomes.
Noutro mundo já, num mundo vazio como as noites em que só a luz da lua nos deixa vislumbrar qualquer forma, desenroscava lentamente os recipientes, e juntavamo-nos num ser sem massa, só espírito, deambulando pelo vento, nus, descalços sem cérebro.
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O jeitoso
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